Nada parece tão interessante a se cantar, escrever ou desenhar. Porém tudo mantém sua beleza intacta, a falha jaz na minha falta de apreço pelas tais coisas. O canto dos p
ássaros continua belo, tal como os raios de sol que iluminam as árvores verdejantes, onde eles entoam suas melodias. Tudo ainda tem sua beleza enferrujada de outrora, o pasto, os vales, rios e tudo o que eles refletem. O poder das tempestades e a calmaria mais doce, o calor de novembro e o frio cortante de junho. Mas nada disso me inspira tanto quanto no passado.Há não tanto tempo tudo era mais intenso, cada mudança de clima era vista por mim como um grande acontecimento, a luz do sol que com força rompe as nuvens era quase divina, a lua também perdeu muito da sua majestade, o tapete amarelo embaixo dos Ipês são maravilhosos, mas não me causam mais arrepios. Houve dias em que eu tinha a necessidade de sentir o ar fresco da noite, e vagava sozinho pelas ruas só pra ter esse simples prazer...
Talvez nada disso seja suficiente agora, nada disso supre mais meus anseios. Os dias ficaram mais longos e as noites intermináveis. Escuridão é o que há em volta, e se aproxima rápido. Porém não é eterna, inspiração retorna com o tempo, eu sei que retorna... E cedo ela estará de volta.
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